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Gênesis 3:15 - Parte 2: A Serpente

  • Carlos Augusto S. da Fonseca
  • 7 de dez. de 2020
  • 6 min de leitura

Atualizado: 7 de ago.



E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. Gênesis 3:15

A serpente é uma metáfora e personificação de Satanás usada na profecia de Gênesis 3:15. Esse pequeno versículo resume o plano da salvação e toda a história da humanidade no seu relacionamento com o Criador. Neste artigo será analisada a metáfora na profecia com relação à serpente: seu significado, sua atuação para afastar o ser humano do seu Criador, bem como a promessa divina de redenção e esperança para o ser humano.


De quem o texto fala?

Tratemos do primeiro ser da profecia. Vemos que a fala da profecia é direcionada à serpente, conforme Gênesis 3:14,15 (versículo 14: "Então o Senhor Deus disse à serpente...").

A mensagem é dita por metáfora, portanto, não se trata, em última instância, do réptil venenoso, mas de um ser astuto e maligno, personificado naquele réptil.

Quanto às sementes da mulher e da serpente, serão eles tratados nos próximos posts.


A serpente.

A Bíblia, como um livro único e coeso [1], deve explicar-se a si mesma, e por isso encontraremos o entendimento da metáfora da serpente em outras partes do seu texto bíblico.

A serpente é identificada em Apocalipse 12:10 e 20:2 como o Diabo, Satanás, acusador dos filhos de Deus, enganador de todo o mundo, também figurado como o grande dragão e a antiga serpente (abaixo, palavras sublinhadas nos versículos).


E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. Apocalipse 12:9,10
E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão.
Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.
E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo. Apocalipse 20:1-3.

Satanás, a antiga serpente.

Na identificação de Satanás como a antiga serpente, em Apocalipse (citações acima), a palavra antiga faz referência ao início do seu aparecimento na história da humanidade, ao tempo da tentação e queda do homem, quando aquele ser usou uma serpente como instrumento no jardim do Éden para falar com Eva e enganá-la.

A mesma palavra também ressalta a longa duração da luta empreendida pelo diabo contra o povo de Deus e o Cristo, desde o início, e que ainda persiste nos dias atuais.

O texto de Apocalipse mostra que a ação de Satanás sobre os habitantes da Terra e a sua luta contra o povo de Deus e o Cristo não é absoluta e que ela terá o seu fim no tempo determinado (Apocalipse 20:1-3 e 7-10).


O veneno da serpente

A toxina da serpente leva à morte do ser humano. O sentido simbólico desse veneno é o pecado, que tem a capacidade de causar tanto a morte física quanto a espiritual.

A decisão de pecar é do ser humano, por isso ele é o responsável diante de Deus por seus atos; porém o propósito do acusador é levar os homens a afastarem-e de Deus e para isso ele usa o engano e a tentação (Apocalipse 12:9,10), a fim de que pequem. Dessa maneira, as figuras da serpente e do seu veneno estão intrinsecamente ligados à tentação e ao pecado.


Essa ligação é perceptível na sequência João 3:14-15; Números 21:5-9; João 12:31-33; Gálatas 3:13; e 2 Coríntios 5:21. Por esses versículos vemos que a serpente de metal levantada por Moisés no deserto é a imagem do pecado, que leva à condenação e à morte, e também uma figura de Cristo, o qual assumiu na cruz o nosso pecado e por causa dele sofreu a justiça de Deus em nosso lugar, para que todos os que nele cressem pudessem ser perdoados. Assim, da mesma forma que os que eram picados pelas serpentes do deserto olhavam para a serpente de metal e viviam, assim também todos os que olham para Cristo não são condenados, mas vivem por causa da justiça de Cristo.

Portanto, a serpente também representa o pecado; e o seu veneno, a destruição e morte causadas pelo pecado.


O que é o pecado

Em uma primeira abordagem, na sua forma visível, o pecado pode ser entendido como todo ato que o ser humano pratica, de maneira consciente e dolosa, que é contrário à justiça e ao amor de Deus, e cujo efeito é o mal contra o próximo. É o que alguém poderia entender de Isaías 1:16-18 em uma leitura mais superficial.

Mas, em uma abordagem mais espiritual, o pecado, na sua essência, é algo que habita no ser humano e constitui-se em uma disposição para afastar-se de Deus e para, no caminho inverso, buscar coisas que satisfazem somente a si mesmo, como o prazer, a cobiça, a vingança, a fama, o poder, a riqueza, e coisas semelhantes - Marcos 7:20-23.

Assim, a prática do mal pelo homem é consequência de ele afastar-se de Deus. A solução é o retorno para Deus em primeiro lugar (Isaías 55:6,7).

A prática de uma religião sem uma mudança interior não é suficiente para mudar esse quadro (Isaías 29:13). Essa foi a essência do que Jesus ensinou no sermão do monte, nos capítulos cinco a sete do Evangelho de Mateus. A mudança depende de um retorno ao Criador, de quem se origina todo o bem - o amor ao próximo, a bondade, a justiça, a paz, a segurança, e tudo o mais que vem de Deus. Ele mesmo opera a transformação no interior do homem (Tito 2:11-13; 3:3-6).

O pecado causa destruição, em maior ou menor intensidade, tanto à pessoa que o pratica quanto aos que lhe são próximos. A sua consequência sobre o pecador é tribulação, falta de paz, mortes física e espiritual e o sofrimento do julgamento divino (Romanos 2:4-11; 3:23; 6:23; Isaías 1:28). Assim o pecado é figurado na metáfora como o veneno da serpente.


A Promessa de Redenção

A situação de Adão e Eva era ruim, para eles e sua descendência. Eles haviam decidido viver por seus próprios caminhos, sem a obediência devida ao Criador e sem compromisso com a sua justiça, e por seu ato de rebelião contra Deus assumiram as consequências do seu pecado: a morte.

Eles e seus descendentes, toda a raça humana, estavam condenados à morte - (isso se reflete em todos nós, descendentes de Adão e Eva) - Romanos 5:12.

A intervenção divina veio em seu favor por meio de uma nova aliança, pela qual Deus enviaria um Salvador nascido da própria raça humana.

Essa é a promessa feita por Deus em Gênesis 3:15, registrada na última parte do versículo: o Salvador esmagaria a cabeça da serpente. Ou seja, Ele desfaria a obra de Satanás realizada contra a humanidade, a qual levou todos à condenação de morte.

A vinda do Salvador passou então a ser a esperança de Adão e Eva e dos homens desde aquela época. Essa esperança se concretizou no nascimento do Salvador de todo o mundo (João 4:42; 1 João 2:1,2), Jesus Cristo, que nasceu na cidade de Belém, em Israel - Lucas 2:10,11; João 1:29.



NOTAS

[1] Apesar de as Sagradas Escrituras serem uma composição de sessenta e seis livros escritos por cerca de quarenta escritores diferentes, cuja escrita se deu em lugares, épocas e circunstâncias diferentes, o seu texto forma uma unidade perfeita e coesa, e seus escritos não se contradizem. Mesmo que se verifiquem pequenas diferenças no campo bibliográfico (traduções, variantes, etc.), a sua mensagem é consistente e verdadeira. Essa certeza é decorrente de ser a Bíblia a Palavra de Deus, cujos escritores foram homens santos inspirados por Deus (2 Pedro 1:19-21) e cuja mensagem e sua transmissão são bem cuidadas por Deus (Jeremias 1:12).



BIBLIOGRAFIA

<https://www.bibliaonline.com.br/acf/index>. Bíblia Almeida Corrigida Fiel. Consultado em 05/12/2020


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